Como democratizamos o acesso a investimentos internacionais com um novo produto digital
Desenhando a primeira experiência self-service de investimentos internacionais do Banco do Brasil.
Product Discovery • Product Strategy • UX Research • Lean Inception
- Empresa
- Banco do Brasil
- Período
- Jun — Set / 2024
- Papel
- Product Designer Sr. · Discovery Lead
- Time
- PM, Design, Negócios, Compliance, Câmbio, Tech
- Métodos
- Desk research, benchmark, entrevistas, personas, Lean Inception
- Ferramentas
- Figma, FigJam, Miro, Power BI, Notion

A oportunidade
Tornar o investimento internacional acessível.
Investir fora do Brasil era, dentro do banco, um serviço — não um produto. Não existia jornada self-service: o cliente dependia de um gerente especializado para simular, decidir e executar cada movimento.
O aporte mínimo girava em torno de US$5.000, o que restringia o acesso a um perfil bastante específico de cliente. Enquanto isso, plataformas digitais capturavam esse mesmo público com barreiras de entrada muito menores.
A oportunidade era criar um produto digital inteiramente novo, capaz de reduzir a barreira de entrada para US$1.000 sem abrir mão das exigências regulatórias e da segurança do investimento.
Como transformar um serviço exclusivo de assessoria financeira em um produto digital escalável?
O desafio
Dois conjuntos de necessidades, um só produto.
Negócio precisava
- Expandir a base de clientes
- Reduzir a dependência de gerentes
- Aumentar a acessibilidade
- Manter conformidade regulatória
Pessoas precisavam
- Confiança
- Simplicidade
- Autonomia
- Informação clara
- Gestão fácil do portfólio
Discovery
Do planejamento à estratégia de produto.
- 01
Planejamento
Perguntas de pesquisa alinhadas com 12 áreas internas
- 02
Desk research
Mercado, regulação e volume de investimento offshore
- 03
Benchmark competitivo
Avenue, Nomad, Inter e Wise
- 04
Planejamento de entrevistas
Roteiro por perfil de investidor
- 05
9 entrevistas
Investidores ativos, potenciais e gerentes
- 06
12 participantes
Diferentes perfis de risco e maturidade
- 07
Análise de comportamento
Affinity mapping das transcrições
- 08
Personas
Perfis comportamentais, não demográficos
- 09
Jornadas
Mapeamento do primeiro ao enésimo aporte
- 10
Lean Inception
Escopo de MVP acordado entre as áreas
- 11
Estratégia de produto
Direção, trade-offs e sequenciamento
Entendendo o mercado
O benchmark não foi comparar telas.
Analisamos Avenue, Nomad, Inter e Wise — mas não pela estética. As jornadas inteiras foram percorridas, reconstruídas e documentadas: da abertura de conta ao segundo aporte.
Medimos interações, comparamos estruturas de navegação, mapeamos onde cada player explicava câmbio, tributação e risco — e onde simplesmente escondia a complexidade.
O resultado não foi uma lista de features. Foi um mapa de onde o mercado cria confiança e onde ele ainda falha.
Entendendo pessoas
Comportamentos diferentes, não faixas etárias.
As entrevistas revelaram que dinheiro disponível não define comportamento de investimento. Três perfis se repetiram — e cada um pedia um produto ligeiramente diferente.
06 · A virada
O problema não era fazer o primeiro investimento. Era fazer o segundo.
A premissa inicial era clara: permitir que o cliente investisse no exterior. Todo o esforço apontava para o fluxo de aporte.
As entrevistas com investidores e com gerentes especializados mostraram outra coisa. Depois do primeiro investimento, as pessoas travavam: não conseguiam acompanhar o portfólio, fazer novos câmbios nem repetir aportes com facilidade.
A estratégia mudou. A gestão de portfólio passou a ser o centro da experiência — não o fluxo de investimento.
“O discovery mudou nossa estratégia de produto antes de mudar a interface.”
Estratégia de produto
Seis decisões que definiram o produto.
Reduzir o aporte de US$5.000 para US$1.000.
Criar uma experiência totalmente self-service.
Priorizar a gestão de portfólio.
Contextualizar o câmbio dentro da jornada.
Atender diferentes perfis de investidor.
Reduzir navegação desnecessária.
A solução
Organizada por momentos, não por telas.
Onboarding
Educação contextual desde a primeira tela.
Abertura de conta
KYC reaproveitado do cadastro PF.
Perfil de investidor
Suitability que orienta a curadoria.
Produtos de investimento
ETFs, ações, fundos e renda fixa.
Câmbio
Conversão explicada no momento da decisão.
Gestão de portfólio
O centro da experiência.
Notificações
Alertas comportamentais e de mercado.
Aportes recorrentes
Repetir sem refazer a jornada.
Validação de negócio
O projeto não parou no discovery.
O MVP foi validado com investidores internacionais reais e submetido às áreas que sustentariam a operação.
A solução foi aprovada pelo Banco do Brasil Americas, pela diretoria de negócios e pelos gerentes de investimento — as três instâncias que definiam a viabilidade do produto.
O projeto retornou depois para desenvolvimento. Eu já havia migrado para outra frente, mas mentorei a transição de volta, garantindo que as decisões de discovery chegassem íntegras ao time de engenharia.
“Alexia trabalhou na UX do protótipo de investimentos Offshore. Primeiro queria dizer que você tem muita sorte de ter uma profissional como ela no seu time. É comprometida, estuda a fundo a solução, educada, sabe se comunicar com os stakeholders de uma forma muito clara e concisa. Entregou o protótipo em tempo recorde e em todos os fóruns que levamos, foi muito elogiado. O que mais me chamou a atenção foi como ela conseguiu traduzir o pedido da área de negócios em um excelente protótipo. Gostaria de deixar o registro e, se possível, transmitir para Alexia nossa satisfação com o trabalho que ela realizou.”
“Parabéns, Alexia! Eu já sabia que seria excelente e foi de caso pensado colocar você nessa frente!”
Reflexão
O que este projeto me ensinou.
Grandes produtos digitais raramente nascem de interfaces. Eles nascem de entender pessoas, desafiar premissas e traduzir pesquisa em decisões estratégicas de produto.